O que aconteceu

Em 30 de outubro, o Google (no blog do Search Central), a Microsoft (no blog do Bing) e a OpenAI publicaram que vão reconhecer um sinal compartilhado no robots.txt, o arquivo que diz aos robôs o que eles podem acessar num site. A Anthropic, dona do Claude, registrou o apoio numa lista de discussão do IETF, a entidade que padroniza protocolos da internet. Segundo o Engadget e o PPC Land, a proposta foi escrita por Kevin Kelley, da Anthropic, e ainda é um rascunho individual, sem aprovação formal do IETF.

Na prática, em vez de bloquear robô por robô (GPTBot, Google-Extended, ClaudeBot e outros), o site passa a ter uma linha só. O exemplo do rascunho bloqueia o treino no site inteiro e libera uma pasta específica:

  • User-Agent: __usage_ai-training
  • Disallow: /
  • Allow: /press-kit/

Quando passa a valer em cada empresa

Microsoft: a partir de 1º de fevereiro de 2027, à medida que o Bing rastrear as páginas de novo. Ela também criou um controle por página pro uso do conteúdo em respostas geradas, como as do Copilot. As tags antigas NoArchive e NoCache deixam de valer como preferência de IA depois de 1º de março de 2027, e o Bing Webmaster Tools abre uma configuração de transição em 15 de dezembro de 2026. Segundo a empresa, nada disso muda a presença no resultado tradicional do Bing.

Google: suporte previsto pro início de 2027. Se o site usar o sinal único e não citar o Google-Extended, o Google vai tratar como se o Google-Extended estivesse bloqueado. Segundo o PPC Land, isso tira o conteúdo do treino do Gemini e também das respostas do app Gemini que consultam a web. O Google afirma que a decisão não afeta a presença na Busca, e os resumos de IA da Busca (AI Overviews e Modo IA) seguem com controle separado no Search Console.

OpenAI: promete implementar nos próximos meses, sem data. Até lá, os controles atuais, como o bloqueio do GPTBot, continuam valendo.

Por que isso importa pra tua empresa

O que ChatGPT, Gemini e Copilot dizem sobre a tua marca vem, em boa parte, do que eles leram na web. Bloquear o treino protege conteúdo que a empresa não quer ver reaproveitado, mas também pode reduzir a chance de a marca aparecer nessas respostas, principalmente no Gemini, onde o bloqueio pelo sinal único vale também pra consulta em tempo real.

Dois cuidados: o sinal é uma preferência que as empresas se comprometeram a respeitar, sem impedir tecnicamente o acesso, e não apaga o que já foi coletado. Uma regra genérica do tipo User-Agent: * não conta como preferência sobre treino.

O que fazer agora

  • Abrir o robots.txt do site (dominio.com.br/robots.txt) e anotar o que já está bloqueado pra robôs de IA hoje
  • Separar o conteúdo que deve aparecer em respostas de IA (serviços, produtos, perguntas frequentes, blog) do que é sensível (tabela de preço interna, área do cliente, material pago)
  • Decidir com o marketing e o jurídico a política da empresa e registrar por escrito antes de mexer no arquivo
  • Se usa NoArchive ou NoCache, rever as páginas antes de 1º de março de 2027 e conferir o Bing Webmaster Tools a partir de 15 de dezembro
  • Testar de tempos em tempos o que ChatGPT, Gemini e Copilot respondem quando alguém pergunta pelo teu segmento e pela tua cidade

Leitura da Domous

A gente trabalha pra que as empresas sejam encontradas e citadas quando o comprador pergunta a uma IA, então nossa recomendação padrão pra site comercial é deixar aberto o que vende e fechar só o que é sensível. A linha única simplifica a gestão, mas a decisão de bloquear tem custo de visibilidade e merece a mesma conversa que se faz antes de tirar uma página do Google. Quem chega pela IA ainda precisa encontrar oferta clara, página rápida e atendimento ágil no WhatsApp.