Por que relatório de alcance não serve pro empresário?
Eu já perdi a conta de quantos donos de empresa me mostraram o relatório da agência anterior. Quase sempre é a mesma coisa: um PDF bonito, gráfico de alcance subindo, número de curtidas, seguidores novos, impressões. No fim, o dono me pergunta: "Kairo, isso deu dinheiro?". E o relatório não tem a resposta.
O alcance, pela definição da própria Meta, conta quantas contas viram teu anúncio pelo menos uma vez. É uma métrica útil pra quem opera a campanha, porque ajuda a entender entrega e frequência. Pra quem paga a conta, ela diz pouco. Dá pra ter um alcance enorme e vender zero.
Curtida tem o mesmo problema. Quem curte pode ser teu cliente, teu concorrente, teu primo ou alguém de outro estado que nunca vai comprar. Curtida não paga boleto.
O que o empresário precisa saber todo mês?
Quando eu sento com o dono de uma empresa, as perguntas dele são sempre parecidas. Quanto eu investi? Quantos clientes isso trouxe? Quanto cada um custou? Quanto entrou de receita? O que eu faço com a verba do mês que vem?
O relatório de marketing existe pra responder essas cinco perguntas. Se ele responde, está bom, mesmo que seja uma planilha simples. Se não responde, pode ter o design que for: ele virou enfeite.
O que eu coloco no relatório que eu entrego
Na Domous, o relatório de marketing tem poucas linhas, e cada uma ajuda a tomar uma decisão:
- Investimento do período, por canal (Meta Ads, Google Ads e o que mais estiver rodando)
- Custo por cliente (CAC): tudo que foi investido dividido pelo número de clientes novos que compraram
- Receita atribuída: quanto entrou de venda que dá pra ligar a uma campanha
- Conversas que chegaram de verdade no WhatsApp, comparadas com as conversas que a Meta reporta
- Venda por criativo: qual anúncio trouxe gente que comprou, e qual só trouxe clique
- O que muda no próximo mês e por quê
Por que comparar a conversa da Meta com a conversa do WhatsApp?
Essa é a linha que mais surpreende o empresário. O gerenciador de anúncios mostra um número de conversas iniciadas. Quando a gente conta as conversas que chegaram no WhatsApp da empresa e foram atendidas, o número quase nunca bate.
Tem conversa que a pessoa abre e não manda nada, tem conversa que cai num número que ninguém olha, tem conversa que ninguém responde a tempo. Se o relatório usa só o número da Meta, o custo por conversa parece melhor do que é. Por isso eu meço a diferença todo mês e coloco ela no relatório, à vista do dono.
Venda por criativo: a linha que muda a campanha
No Meta Ads atual, o criativo faz boa parte do trabalho de encontrar o público. Cada ângulo de anúncio puxa um tipo de comprador. Então a pergunta certa sobre um criativo é quantas vendas ele trouxe.
Pra isso funcionar, o atendimento precisa registrar de qual anúncio veio cada contato, num CRM ou numa planilha bem feita. Dá trabalho no começo. Depois de algumas semanas, fica claro qual criativo merece mais verba e qual pode ser desligado sem dó.
Imagina uma loja em João Pessoa com dois anúncios no ar: um vídeo cheio de visualização e comentário, e uma foto simples do produto com preço, que ninguém comenta. Só cruzando com as vendas dá pra saber qual dos dois trouxe quem comprou. Pode ser a foto simples. Sem venda por criativo no relatório, a verba iria pro vídeo que parece melhor.
E se a minha empresa ainda não mede venda?
É o caso de muita empresa que chega até a gente, e tudo bem. O primeiro passo é combinar uma meta de custo por cliente antes de investir o primeiro real e organizar o caminho do lead: de onde veio, quem atendeu, se comprou e quanto comprou.
Com isso no lugar, dá pra ligar o CRM ao anúncio pela API de Conversões e montar um painel que mostra custo por cliente e receita sem ninguém precisar montar PDF no fim do mês. O alcance continua lá dentro, pra quem opera. No relatório do dono, entra o que paga a conta.